A GESTÃO DE SAÚDE E A FÓRMULA 1

Ao possuir a Carteira Nacional de Habilitação estou, ao menos em tese, habilitado a dirigir; entretanto, a despeito disso não estou habilitado a pilotar um carro de fórmula 1 (F1). O conhecimento me habilita a conduzir veículos, mas ainda que existam algumas semelhanças entre os carros a complexidade e potência de um F1 exige conhecimentos específicos daquele que tenha por objetivo dirigi-lo.  Sabidamente o piloto terá um longo período de testes para  aquisição de competência específica  visando ao seu intento. Assim, para tarefas de alta complexidade devemos ter um alto nível de treinamento e preparo. Fazendo uma analogia deveríamos esperar que para a tarefa complexa e altamente específica da gestão de saúde também tivéssemos alguém com grande preparo e conhecimento para responder pela administração do bem mais precioso do indivíduo e da comunidade – a saúde. Infelizmente, no Brasil um piloto amador pode não somente pilotar o F1 como também escolher sua equipe de mecânicos! Lamentavelmente não existe na legislação brasileira nada que norteie a escolha do gestor de saúde quer em nível municipal, estadual ou federal. Isso deixa a escolha inteiramente dependente das vontades e conchavos do executivo em questão (prefeitos, governadores e presidente) que habitualmente fazem a escolha baseada em quesitos políticos tais como pagamento de dívidas de campanha, imposições dos partidos da base aliada ou mesmo critérios ainda mais amadores tais como amizade ou simpatia. Assim, nos deparamos com freqüência com “administradores” assumindo a pasta da saúde sem qualquer preparo ou conhecimento técnico específico que garantam minimamente a eficiência e presteza de suas decisões. Tal espectro de atitudes obviamente leva a inúmeros problemas que tem sido presenciados nos mais diferentes pontos da nação brasileira. O desconhecimento específico da área  faz com que estes gestores fiquem completamente dependentes do segundo escalão, que  muitas vezes dizem o que o gestor que ouvir e não o que ele precisaria ouvir. Apenas para ilustrar minha afirmação temos um engenheiro como secretário municipal de saúde do maior município da nação e um dos dez maiores do mundo com uma população que ultrapassa os 10 milhões de habitantes.

No Brasil a saúde pública necessita de mais recursos, mas sem dúvida necessita urgentemente de um novo modelo de gestão. A administração da saúde de ser feita por profissionais da área, com grande conhecimento técnico e notoriedade  para a otimização dos parcos recursos que estão disponíveis. Não adianta dinheiro sem planejamento e conhecimento. Este é um tema que a sociedade brasileira deveria abraçar para que no futuro tenhamos uma saúde melhor e realmente para todos!

4 comentários sobre “A GESTÃO DE SAÚDE E A FÓRMULA 1

  1. São inúmeras e diferentes circuitos de velocidade, subidas declives, mais o perfil do piloto faz toda a diferença, muitos não chegam ao final com exito, outros no meio do caminho perdem a direção, chocam-se com a realidade, e refletindo dizem pra si mesmos, “não estava preparado” a vergonha se mistura com tristeza daqueles que assistem a corrida, e a expectativa da lugar a desilusão e mais uma vez a esperança de subir e erguer a taça de vencedor fica adiada, gestão em saúde publica exige capacitação adequada para função, senão continuaremos como meros expectadores esperando um dia que nossa saúde publica possa alcançar um lugar de honra no pódio do povo brasileiro. Parabens! Prof Dr Marco Antonio Volpe. ( Agnaldo – Francisco Morato – Sp)

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